quarta-feira, 13 de julho de 2016

A REDE IDIOTA (Zeca Baleiro)

Sinopse: A Rede Idiota a Outros Textos é um livro de crônicas afinadas e afiadas, qualidades que não são novidade para quem conhece a arte, a inquietação e a indignação de Zeca Baleiro. Em textos que são mistura de crítica, reflexões e filosofias (de boteco, segundo o autor), o multifacetado artista desfia as cortinas de um mundo cada vez mais fragmentado pela internet e pelas redes sociais. Com uma espetacular capacidade de conversar com o leitor, Baleiro se mostra nestas páginas um talentoso sectário da arte de Rubem Braga e, com estilo e voz própria, mistura bom humor, lírica e saborosas nostalgias.

Meus comentários: sou uma fã de carteirinha desse maranhense que arrasa na música e fiquei bastante surpresa ao me deparar com um livro dele. Algumas crônicas são excelentes, outras, para meu gosto, nem tanto. O conhecimento dele, na esfera musical, é bem vasto, trazendo informações interessantes. As reminiscências quanto à sua infância e adolescência me transportou para seu Maranhão, me deixou com muita vontade de conhecer os locais citados.

O COMITÊ DA MORTE (Noah Gordon)

Sinopse: O "comitê da morte" é uma formalidade disciplinar, uma espécie de tribunal interno, que funciona em alguns hospitais americanos. Diante do falecimento de um paciente, o médico deve justificar o seu diagnóstico e o seu tratamento. O veredicto do comitê passa então a influir no futuro da carreira dele. Nesta história, porém, o presidente do tal comitê é Harland Long Wood, um inquisidor autoritário, mergulhado em frustrações e psicopatias, que persegue sem trégua três jovens e dedicados médicos.

Meus comentários: Já li alguns títulos bem melhores do autor, embora não seja de todo ruim. Aborda questões interessantes mas com certa superficialidade. Na realidade trata-se mais de um romance e essa questão que me interessou, essa prática existente em alguns hospitais americanos de instituir um comitê da morte não teve uma abordagem mais profunda, como eu esperava.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

AMSTERDAM (Ian McEwan)

SINOPSE: A trama consiste de uma fábula moral sobre dois amigos: Clive Linley, compositor de música erudita, e Vernon Halliday, jornalista. Ambos estão em momentos cruciais de suas vidas. Clive precisa concluir uma sinfonia para a virada do milênio que, espera, irá consagrá-lo. Vernon é editor do importante, mas decadente, jornal The Judge. Após o funeral de Molly Lane, ex-amante de ambos que sofreu longo e humilhante declínio mental antes de morrer, os dois fazem um pacto: caso um deles venha a padecer da mesma agonia, o outro deve libertá-lo, facilitando a eutanásia.
São muitos os temas polêmicos aqui presentes, como o aquecimento global e o papel da Inglaterra na Europa. Sem Amsterdam, já revelou McEwan, não haveria Reparação, seu consagrado romance seguinte. Em um complexo exercício criativo, o autor denuncia a vaidade e a busca pela fama a qualquer preço.

Meus comentários: E assim se descobre o quanto a venalidade pode ser atemporal. O que culmina com o interessante desfecho do livro é uma amizade desigual entre os dois protagonistas, fazendo com que esse desequilibrio acabe por alimentar fortemente o ressentimento, que começa pequeno, por mera divergência de opinião e que vai num crescendo que não arrefece. Na minha opinião, são dois anti-heróis  que não mereceram minha simpatia de leitora. Não me atrevo a negar meu desejo inconfessável de que se dessem mal. Gostei.